PAOLA DE RAMOS

O palhaço que só sabia chorar

O vermelho não esquenta mais a sua alma, o amarelo não erradia luz em seu olhar,
o verde não lhe traz paz e o dourado não ilumina mais os seus dias. Infelizmente, as cores
vibrantes de sua roupa e maquiagem não são suficientes para alegrar o seu triste coração. O
sapato grande e atrapalhado, só é mais um pesado instrumento no seu caminhar.

O sorriso que rasga em seu rosto é como um processo cirúrgico doloroso, sem
anestesia, sem dó, abre em sua face na obrigação. As lágrimas, que são mais recorrentes,
lavam a sua pele, correndo a tinta da maquiagem, fechando os poros e abrindo-lhe as
mágoas. O choro continuo mancha a colorida máscara, tentando tirar os rastros de quem um dia foi palhaço. De que um dia sorria e fazia sorrir. Mas palhaço é sempre palhaço.

Não importa o quanto chorar, a maquiagem nunca será tirada, a tinta está
empregnada na sua cara, revelando cruelmente que um dia ele foi realmente feliz.